Informe mundial traz dados sobre violência contra defensores/as
O último informe da Global Witness, intitulado Poder Coletivo a luta pela proteção de defensores/as do território e do meio ambiente, publicado na última semana (Set. 2026), traz dados preocupantes. A América segue sendo a região mais perigosa para defensores/as e o Brasil o segundo em mortes. Os dados são referentes a 2025.
Segundo o Informe, 85% dos assassinatos de defensores/as ocorreram nas Américas: foram 105, de um total de 124 em todo o mundo. O dado é alarmante, mesmo que registre uma queda em relação a 2024, quando foram 142 assassinatos (desde 2012, a organização documentou 2375 assassinatos em todo o mundo). Para a Global Witness, essa pequena diminuição não representa melhora, pois ainda são muitas mortes. A organização adverte que os dados provavelmente não registram a magnitude real da violência.
O Relatório diz que 52% de todos os assassinatos ocorram em dois países: a Colômbia e o Brasil. Foram 39 assassinatos de defensores/as colombianos/as e 26 brasileiros/as. Neste último, houve um aumento de mais do que o dobro, já que foram 12 em 2024. Outros países das Américas que também têm mortes são: Honduras, com 12 mortos; México, com 10, Guatemala, com 8; Peru com 4; e Nicarágua e Equador, com 3 cada.
Os assassinatos são majoritariamente de lideranças que atuam nas lutas por território e meio ambiente. Dos 36 mortos na Colômbia, 35 são ligados a estas causas; no caso brasileiro, 11 assassinados são camponeses e 7 indígenas. Entre os 124 mortos, 109 eram homens, 14 mulheres e 1 não binário.
O relatório também registra crescimento de outros tipos de agressão contra defensores/as: criminalização, assédio, ameaça, vigilância, intimidação e difamação. No México, por exemplo, foram 107 casos de criminalização, além de centenas de casos de estigmatização, intimidação e difamação.
Global Witness afirma a importância da organização das comunidades e o crescimento do que chama de “poder coletivo”, que gera a “proteção coletiva”, visto que os ataques raramente são somente contra indivíduos isolados, exigindo formas comunitárias de proteção, o que não dispensa a colaboração do Estado.
O Informe faz cinco recomendações, que são as seguintes:
1) abordar as causas estruturais da violência contra defensores/as;
2) reforçar a proteção coletiva de defensores/as e das comunidades;
3) combater a impunidade e garantir o acesso à justiça;
4) proteger o espaço cívico e o direito de defender o território; e
5) colocar defensores/as no centro das políticas sobre o clima e a biodiversidade.
Para ver o Informe (em espanhol), clique aqui.